FONTE: AUTOESPORTE.

De acordo com o site oficial dos Jogos Olímpicos (olympics.com), a Carta Olímpica estabelece que “esportes, disciplinas ou eventos em que o desempenho depende essencialmente de propulsão mecânica não são aceitáveis”. Em outras palavras, a competição deve ser entre atletas, e não entre máquinas.

Atrito entre FIA e COI

Desde 11 de janeiro de 2012, a Federação Internacional de Automobilismo (FIA) é reconhecida pelo Comitê Olímpico Internacional (COI) como uma federação esportiva. No entanto, a relação entre FIA e COI teve um início conturbado, o que esfriou as chances de inclusão do automobilismo nas Olimpíadas de Londres (2012), Rio de Janeiro (2016), Tóquio (2020) — realizada em 2021 devido à pandemia — e Paris (2024).

Pouco depois do reconhecimento da FIA pelo COI, em 8 de julho de 2012, Jacques Rogge, então presidente do COI, afirmou que, embora respeitasse muito as corridas de carro, elas não deveriam fazer parte dos Jogos Olímpicos porque o torneio é uma competição de atletas. Além disso, Rogge mencionou que o automobilismo poderia causar problemas logísticos durante a competição, que dura menos de um mês. As declarações não foram bem recebidas pela FIA, presidida na época por Jean Todt.

O que diz a Carta Olímpica

Outra questão que impede a inclusão de qualquer categoria de automobilismo nos Jogos Olímpicos é a Regra 52 da Carta Olímpica, que determina: “Somente esportes amplamente praticados por homens em pelo menos 75 países e em quatro continentes, e por mulheres em pelo menos 40 países e em três continentes, poderão ser incluídos na programação dos Jogos Olímpicos.”

Embora a FIA tenha 242 membros de clubes de automobilismo e atue em 147 países, o site da federação lista apenas 33 competições oficiais, incluindo a Fórmula 1.

Vai ter automobilismo em 2028?

A discussão sobre a inclusão do automobilismo na Olimpíada continua. Havia expectativa de que a modalidade pudesse reestrear nos Jogos Olímpicos de Los Angeles em 2028, especialmente após uma convenção do COI em Mumbai, Índia, em outubro do ano passado, para discutir novos esportes. No entanto, as modalidades aprovadas foram futebol americano, beisebol e softbol, lacrosse e squash. Ainda estão em discussão os formatos desses esportes no calendário olímpico.

Única participação do automobilismo na Olimpíada

O automobilismo já fez parte dos Jogos Olímpicos, em Paris, na segunda edição da era moderna dos Jogos, em 1900. De 25 a 28 de julho daquele ano, foi realizada uma prova de 1.347 km, organizada pelo Automóvel Clube da França, que passava por Toulouse e retornava a Paris. A competição visava demonstrar a resistência dos carros, que eram uma invenção relativamente nova, surgida na França em 1891.

A prova foi dividida em 14 categorias, incluindo carros de seis lugares, vans de entrega e até caminhões, e os inscritos eram listados pelo fabricante do carro, não pelo motorista. Dos 55 competidores, apenas 21 cruzaram a linha de chegada. Louis Renault, um dos fundadores da Renault, foi um dos vencedores.

Desde então, o automobilismo nunca mais esteve presente em nenhuma edição dos Jogos Olímpicos, e a inclusão futura parece cada vez mais distante.

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